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ericnorton
Um Homem Exorcizando Seus Demônios
 
The Saving The World Business

Scotsman Mccregor Abercrombie. Esse era o nome do pai de Alden Abercrombie. Um rico industrial escocês, Scotsman atuava no ramo de bebidas alcoólicas.

Em uma viagem ao Brazzil, conheceu Laura Fitch, uma modelo brazzileira. Os dois se apaixonaram, casaram, e tiveram dois filhos.

Essa, no entanto, não é uma estória de Alden, o filho mais velho do casal. Esta é uma estória sobre Ian Abercrombie, a ovelha negra. 

Educado no Brazzil, Ian nunca demonstrou interesse nos negócios da família. Ao completar dezoito anos, viajou de carona pela Europa, sem autorização ou os recursos do pai. Para conseguir dinheiro, trabalhava temporariamente em algum restaurante ou em um posto de gasolina ao longo do caminho.

Ian dormia em albergues ou em acampamentos; não tinha cartão de crédito, e sempre apresentava documentos falsos em suas viagens. Todos os seus passos eram meticulosamente calculados para que não fosse localizado pelo pai ou irmão.

Enquanto Alden começava a tocar as indústrias Abercrombie e a explorar seus contatos com o sobrenatural, Ian fugia de qualquer responsabilidade, mantendo uma vida cada vez mais errante.

Já não trabalhava mais de um dia em um mesmo lugar e não falava a não ser que fosse absolutamente necessário. As noites significavam pouco descanso e muitas horas de estrada. Até que um dia deparou-se com um homem de cabelos pretos longos, que caíam insistentemente sobre seus olhos.

Era noite; ele estava na estrada 54, que ligava Londonlondon a Yorkinxaier. O homem estava ajoelhado, observando suas duas mãos. Mesmo desconfiado, Ian parou a moto e se dirigiu ao homem:

- Está tudo bem?

O homem ignorou a pergunta. Ian se aproximou um pouco mais.

- Você precisa de ajuda?

- Tinta.... preciso de tinta. – disse o estranho homem.

- Acho que... devo ter algo aqui...

Ian não sabia porque estava procurando tinta em sua mochila, afinal de contas o homem parecia estar bem. Mas um instinto poucas vezes antes manifestado, o mesmo que o impulsionou a abandonar sua família em busca de uma nova identidade, dizia que aquele pedido era importante, talvez até crucial. Ele achou, enfim, um pequeno pote de tinta nanquim, que ele havia furtado em uma loja em Parrí.

- Bem, eu tenho isso aqui.... – disse ao homem, que imediatamente pegou o pote e enfiou o dedo nele para começar a pintar algo no asfalto.

Após alguns minutos, uma imagem começou a se formar. Havia dois lados, separados por notas musicais. No lado direito, um homem parecia liderar um exército de criaturas disformes, de todos os tamanhos possíveis. Ele apontava para o lado esquerdo, como se estivesse prestes a mandar seu exército atacar. Do outro lado, havia dois homens: ambos, pelo que o desenho parecia mostrar, tinham um “S’na cabeça. Logo atrás deles havia figuras gigantes, como se fossem dragões. Nenhum dos dois apontava para o lado direito, mas eles estavam em posição de alerta, como se prontos para uma batalha.

Ian ficou ainda mais estupefato quando percebeu que os olhos do homem estavam completamente brancos enquanto ele pintava.

De repente, os olhos do homem ficaram castanhos, e ele parou de pintar. Boquiaberto com o estranho fenômeno, Ian apenas pôde perguntar:

- Quem é você?

- Meu nome é Pirer. Obrigado pela tinta.

- O que diabos é isso?

- É o futuro. Ás vezes... ás vezes eu consigo ver o futuro, e então eu posso pintar aquilo que vejo... Isso é algo que vi enquanto voava, e então eu parei por que já não enxergava mais nada além disso.

- E... cadê o seu avião? Ou helicóptero, sei lá.

- Eu não preciso disso. Posso voar sozinho.

- Claro. E eu sou o rei da Scotlend. Muito prazer.

Pirer, no entanto, não se abalou com o tom sarcástico de Ian. Apenas flutuou por alguns instantes, para provar que não estava brincando.

- Porra, isso é fantástico!!!

Pirer ignorou Ian, e passou a analisar a pintura no chão.

              - Uma batalha... A maior de todas, talvez... Ideais em conflito, traição... o destino de muitos será decidido nessa luta.

            - Mas quem é que...

            - Ainda não sei. Esses monstros... Talvez a luta ocorra no passado...

            - No passado? Não era o futuro que você pintava? E será isso seria era dos dinossauros?

            - Pode ser...

            - E que monstros são esses? Não parecem dinossauros... Esse parece mais um...

            - Lobisomem. Pode ser. Existe muito mal nesse mundo, não ficaria surpreso se mais esse tipo de criatura também afligisse as pessoas. Na verdade, já ouvi rumores sobre lobisomens aqui na Europa.

            - Essa é a primeira vez que falo com uma pessoa em dias, e está sendo a conversa mais estranha de toda a minha vida, mas mesmo assim faz tanto sentido... Sempre achei que havia algo de estranho no mundo, algo que não pudesse ser facilmente explicado.

            - Então você também sente algo que sempre senti. Talvez tenha sido o destino que nos colocou juntos. Você estava aqui por uma razão, e talvez tenha sido para você que eu pintei isso. 

            Ian surpreendeu-se: não esperava fazer parte de coisa alguma. Esperava apenas que o homem que voava dissesse algo como “pois é, verdade” e depois fosse embora, deixando ele em paz. Toda a curiosidade antes manifestada por ele evaporou-se em um instante. 

            - Escuta, isso tudo foi uma enorme coincidência. Você estava voando, eu estava em minha moto, você pousou, eu parei, você fez uma pintura idiota no chão e nós conversamos a respeito. Nada mais. Boa sorte e adeus.

            - Não. A cada momento me convenço mais de que é você quem eu vi. Você, com essa cicatriz...

            - Que cicatriz?

            - Ela tem a forma de “S”. Vocês dois têm...

            -Nós dois quem?

            - Você e ele... Não sei dizer quem exatamente. Mas ele será seu amigo, e você o dele. Serão vocês que lutarão para salvar o mundo.

Pirer, naquele momento, se calou. Se eles salvariam o mundo, o que ele faria? Por que ele não participaria daquela batalha épica? Será que...

            - ... eu morro?

            - Não sei, meu chapa, mas você está meio louco se acha que eu vou ter amigos e lutar para salvar o mundo.

Pirer recompôs-se. Se ele estava destinado a não participar da batalha, que fosse.

            - Talvez não agora, mas um dia sim. Se for esse o caso, se esse for mesmo seu destino, é melhor estar preparado.

            - Desculpe, mas isso não tem nada a ver comigo.

            - Tem sim. Seu negócio, a partir de agora, é salvar o mundo. Vamos começar seu treinamento.
 
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