Estava quente em Jira. Os pernilongos eram do tamanho de cachorros pequineses, e as baratas ainda maiores, mas eu não pareci despertar muito interesse. Não deles, pelo menos.
Um velociraptor sentiu minha presença, e alertou seus amigos para uma emboscada em busca de carne nova. Como eu soube disso? Tradutor Universal Transtemporal. Nunca saia de casa sem ele. Obrigado, Professor Lloyd.
Usei um Feiser para espanta-los. Baixa intensidade, apenas para machucar um pouquinho. Dois deles, no entanto, já estão devidamente miniaturizados e presos na Caixa Elétron. Um macho e uma fêmea. Ele tem uma plumagem colorida para atrair as garotas, mas devidamente furtiva em momentos de caçada.
Ótima aquisição para meu projeto. Um Saurológico escondido no meio de Miller, justamente na Avenida Afonso e Afonso, uma das mais movimentadas da cidade. Afinal, se é para esconder uma coisa, deixe-a o mais evidente possível. Mas meus dispositivos dimensionais darão conta do recado.
Depois disso, mais outras capturas. O tiranossauro ficou do tamanho de uma lagartixa antes de eu nocauteá-lo. Braquiossauros, Iguanodontes, Tricerátopes, entre outros, todos a caminho do presente. É claro que as baratas e outros insetos tamanho-família foram para a coleção, a título de curiosidade.
Uma vez que estava tudo embalado, de malas prontas para voltar para o presente, senti um tremor procedido por um clarão no céu. As proteções mágicas da ilha não deixavam o calor penetrar, mas o oceano começou a ferver. Eu estava testemunhando o fim dos dinossauros, de camarote.
Fiquei feliz a princípio. Eu era a única pessoa em todo o planeta que poderia dizer que havia testemunhado aquele incrível acontecimento, e que finalmente o mistério havia sido resolvido: fora um meteoro que causou a extinção das maiores criaturas que já caminharam sobre a Terra.
Mas depois de alguns minutos a observar o céu em chamas e sentir sob meus pés uma fração do impacto, lágrimas caíam dos meus olhos. Era muito triste sentir a agonia, mesmo distante, de milhões, talvez bilhões, de seres vivos.
Me recuperei, ciente de que tinha que completar minha missão. Fora Lloyd que disse: vale a pena lutar pelo futuro. Pensei que também valia a pena lutar pelo passado, afinal de contas. Olhei a Caixa Elétron, cheia de amostras da vida ancestral, minha própria arca, e apertei o botão de minha máquina do tempo para voltar para casa.