Miller, Sul de Minas.
Quarto de hóspedes deTio Baca.
- Escapamos de uma bela enrascada, hein? -disse Eric Norton.
- Mas entramos em outra bem maior. Não sei se quero fazer isso, entende? - disse Ian Abercrombie.
- O que? Lutar contra seu irmão?
- Exatamente. Eu saí do Brazzil para nunca mais ter que me envolver nos negócios da família, e agora estou enfiado até o pescoço neles.
- Pelo que entendi, você não quis compactuar com o jeito deles de fazer negócio. Quer forma melhor de manter seus princípios?
- Minha principal meta era nunca mais ter que sequer ouvir falar deles. Em minhas primeiras horas aqui, não só fui torturado por um capataz com nome idiota do meu irmão como também me envolvi em uma conspiração que envolve sacis, curupiras e sei lá mais quais criaturas folclóricas. Você realmente acha que estou satisfeito, ou mesmo disposto a fazer isso?
- Ian, eu não sei se o que estamos fazendo é uma boa idéia ou não, mas sei de uma coisa: esse é um trabalho de duas pessoas, pelo menos. Eu não posso fazer isso sozinho, não quero.
- Mas você terá outros ao seu lado, como o Tio Baca, ou o tal Jock Betto...
- Joshua, na verdade.
- Enfim, eu sei que a pintura diz ques estamos destinados a lutar contra meu irmão, mas eu não acho que meu destino está completamente selado.
- Não é apenas por causa da pintura que você precisa fazer isso. Você não sente algo dentro de você, algo que diz que podemos fazer a diferença?
- Não, não de verdade.
- Então o que você está fazendo aqui, Ian? Por que você voltou? Por que você acha tão difïcil acreditar?
- Por que você acha tão fácil?
- Nunca foi fácil! – disse Eric, emocionado. – Isso é um salto de fé, Ian.
Houve um silêncio desconfortável, que perdurou alguns minutos. Mesmo relutante, Ian acenou positivamente com a cabeça.
- Vamos fazer isso, então. Mas você tem que me prometer uma coisa:
- Pode dizer.
- Sem mais esse tipo de viadagem, ok?
- Ok.
