Referências são o cerne de minha vida, e conseqüentemente de minha obra. A Estória do Brazzil, portanto, surgiu a partir e através de múltiplas homenagens feitas às minhas fontes de entretenimento favoritas. Para esclarecer alguns pontos tidos como nebulosos, resolvi fazer esse guia para a melhor compreensão de meus ávidos leitores, que não estão tão acostumados à verdadeira enxurrada de referências feitas. Falta Contexto? Pois aqui está ele.
You Met Me at a Very Strange Time in My Life
O embrião de tudo.
O título é a última frase do filme Clube da Luta, de David Fincher. Ela é proferida pelo personagem Tyler Durden. Dizer mais estraga o filme para as três pessoas que ainda não assistiram.
O Presidente do Brazzil de 2025, Érico Padilha, é um colega de faculdade que se porta da maneira mais cortês e provavelmente falsa possível, mas que é também muito carismático e com ambições políticas claras desde agora. Um dos únicos personagens que não tem pseudônimo.
A alusão ao mundo terminar em 2012 foi feita por causa da amplamente conhecida profecia Maia, que afirma não haver data posterior a 21 de dezembro desse ano vindouro. Isso segundo o calendário deles, é claro.
Quanto à cicatriz e ao Harry mencionado, obviamente ambos vêm de Harry Potter.
A estória foi escrita ás vésperas do lançamento do sétimo e derradeiro livro da série, e na época o grande questionamento de fãs como eu era se ele sairia vivo depois de tudo.
Devo ainda lembrar que meu intuito inicial era apenas escrever sobre meus planos para um fim-de-semana prolongado, mas que foi modificado no meio do caminho pelo meu desejo de escrever algo que fosse engraçado e deixasse de lado o chororô que ás vezes tomava conta de meus escritos. Parece que valeu a pena mudar de idéia.
This... Is What You´ve been Waiting For
Aqui a coisa toda começa com um diálogo sem muitas explicações, mas fica claro que é entre um político (Érico Padilha) e um homem que tem superpoderes (Pirer Pet***li). Padilha é um conhecido do primeiro conto, enquanto Pirer é baseado no personagem de Heroes, Peter Petrelli, que tem os mesmos poderes e penteado emo, com as franjas ridículas e tudo mais.
Mais além, o cientista louco que procura por meteoros em um episódio de Chapolin faz uma participação relâmpago. Padilha se refere a ele como se fosse o ator, já que ele menciona que “... ele tem tantos nomes...”. Ramón Valdés fez inúmeros personagens na série, e foi o Senhor Madruga (o trambiqueiro que deve 14 meses de aluguel) em Chaves. Ele morreu em 1988, mas tenho certeza que isso foi apenas uma maneira de distrair a atenção do grande público para que ele pudesse ter uma vida tranqüila em outro lugar.
18 Horas Atrás
Alden é o nome de um personagem do livro “O Americano Tranqüilo”, de Graham Greene. Sempre gostei desse nome, e pensei em fazer uma aliteração com outro sobrenome que eu gosto, Abercrombie. No início, Alden seria um herói mais ou menos como Elijah Snow, do Planetary, um colecionador de coisas estranhas que no fim do dia ajudaria as pessoas. Mas os planos mudaram um pouco, como se sabe.
A cidade Bacamarte veio espontaneamente, sendo que a única possível referência seria o desenho Bacamarte e Chumbinho, mas não foi o caso. Já Sul de Minas, que seria apenas uma sub-região do estado, virou um independente em meu mundo. Isso porque Franca, a Miller do Brazzil, fica ao norte de São Paulo, quase na divisa com Minas Gerais. Mas a cidade tem muito mais características mineiras do que paulistas, portanto achei apropriado criar uma identidade única para essas pessoas bizarras que tanto gosto em meu universo.
O lobisomem. Em vez de usar a abordagem clássica da bala de prata que o elimina, usei a que Monteiro Lobato descreve em “O Saci”, mas sem a estória de “pelo para dentro, carne para fora”, e a coisa do sétimo filho. O lobisomem Brazzileiro é acometido por uma maldição ao ser mordido por outro e sobreviver, e tem essa maldição parcialmente desfeita ao ter um de seus membros extirpados. Balas de prata podem feri-lo, mas não mortalmente.
Por fim, menciono o fato de Alden ser capricorniano. Queria usar a idéia de “Bebê do Século” (Indivíduos especiais que nascem em primeiro de janeiro de algum ano 00) de Planetary, mas um pouco mais contemporâneo. Deixei-a de lado, parcialmente, pelo menos por enquanto. Veremos que Alden é um cara especial, mas muito mais cruel do que um Bebê do Século seria.
The Mayas Aren´t Allright
O título faz referência a duas coisas: primeiro, à profecia Maia que diz que o mundo acabará em 2012, idéia usada anteriormente. Segundo, à musica “The Kids Aren´t Allright” , do Offspring. Enquanto na música o título remete ao bem-estar das crianças, no meu quero dizer que os Maias não estão de todo certos.
O emissário de uma realidade alternativa, Riro, é baseado na versão futurista do personagem Hiro, De Heroes. Ele avisa para o personagem Peter Petrelli, no episódio 105 “Hiros” sobre um acontecimento chave para a trama, e fiz com que ele fizesse algo parecido na minha estória. Ela se passa antes de You Met Me at a Very Strange Time in My Life, e é por isso que o personagem desta fica tranquilpo quando seu Eu do futuro o avisa que Riro e os Maias, afinal, estavam errados.
Devo lembrar que o Saurológico mencionado aparece em outra estória ainda não publicada e sem título, que narra a primeira aventura de Eric Norton com sua máquina do tempo e é importantíssima para a compreensão de todo o resto.
2020 é uma data já usada em outros títulos, e achei interessante usá-la, mesmo que aleatoriamente. O céu púrpuro desse ano é uma referência ao episódio 223 de Lost, Live Together, Die Alone, em que uma im(ex)plosão na escotilha causada por John Locke e Desmond David Hume muda os rumos dos acontecimentos na ilha.
Lloyd, mencionado no começo, é um análogo de Doc Brown, o cientista de “De Volta para o Futuro”, mas usando o nome do ator que o interpreta, Chistopher Lloyd. É ele que dá a máquina do tempo a Eric Norton.
Snows, o presidente eleito em 2010 e que possivelmente seria reeleito em 2014 é Aécio Neves.
Há também um elemento de Superman aqui. Quando Riro avisa que Norton só encontrará poeira estelar se viajar para o futuro, estava pensando em Superman, durante a saga Zero Hora, quando ele afirma ter viajado a Krypton e visto apenas aquilo.
Uma última coisa, um pouco mais sutil: a frase “quase completamente, mas não exatamente” foi parafraseada diretamente do Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams.
Welcome to Miller, Mr. Abercrombie
Esse é o texto que narra o primeiro contato entre os personagens centrais Eric Norton e Ian Abercrombie, o irmão mais novo de Alden.
Dessa vez comecei com uma explicação geográfica tosca, rebatizando vários estados brasileiros e ignorando completamente a divisão de regiões oficial, utilizando uma um pouco mais lógica. Pantanal é a área que compreende Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Bandeirante é São Paulo, Santa Fair´s State é a Bahia, Holy Ghost é o Espírito Santo e Antarctica é o Rio de Janeiro.
O problema é que boa parte da informação necessária para entender a trajetória de Ian está em outra estória não publicada, sobre seu encontro com Pirer na Europa. Basta saber, no entanto, que Ian é a ovelha negra da família, e saiu bem cedo de casa para viajar pelo mundo sem chamar a atenção de ninguém. Desnecessário dizer que seus planos não foram tão bem sucedidos quanto ele gostaria.
Enfim, usando o mesmo expediente que Heroes usa para introduzir elementos novos na narrativa sem maiores explicações, o pontapé inicial para a vinda de Ian a Miller é um quadro que mostra o futuro pintado por Pirer. Nele, Ian está no Brazzi, mais especificamente em Miller. Por razões desconhecidas, ele não gosta muito da idéia, mas a elipse deixa claro que ele se deixou convencer por Pirer.
Já em Miller, Ian menciona que o céu de lá é bonito. A pessoa em que o personagem é baseado disse justamente a mesma coisa sobre a contraparte real de Miller, Franca. Isso é, portanto, uma homenagem a ele.
Outra referência que merece ser mencionada é o fato de os EUA serem chamados de U.S. and A., do mesmo jeito que o personagem Borat, do humorista inglês Sacha Baron Cohen, chama o país.
A última coisa é a menção a um prédio que tem uma luz neon de cor azul, a mesma usada na entrada da Unesp de Franca, onde os personagens, e as pessoas reais, se conheceram.
The Real Alden
Aqui não existem grandes referências. Mas foi nessa estória que resolvi mudar a direção que o personagem Alden tomaria após resolver o imbróglio em Bacamarte. Em vez de ter um monte de pessoas legais e altruístas para depois inventar os vilões, por que não pegar um personagem interessante e mudar tudo?
There Go My Heroes
Floresta Warriórica = Floresta Amazônica.
Os heróis do título são velhos conhecidos do universo de ação, tanto da TV quanto do cinema. Mag é MacGuyver, o famoso personagem da série homônima dos anos 1980. Era ele que conseguia montar as mais intrincadas bugigangas com apenas uma caixa de fósforos e seu próprio cuspe. Jack é Jack Bauer, de 24 Horas. E Tchuck é Chuck Norris, um ator que havia caído no esquecimento até que uma série de brincadeiras na internet, chamadas de Some Random Facts About Chuck Norris restabeleceram sua notoriedade.
Os personagens, devo admitir, são tão planos que até dá dó. Mas essa era a intenção, realmente: fazer uma paródia do meu jeitinho com eles.
Bem, os três estão à procura de Morutopia, referência à Utopia, uma cidade perfeita imaginada por Thomas Morus no livro homônimo. Chamo-o de Tomás porque algumas traduções do livro mostram na capa que o autor chama-se Tomás Morus. Vai entender.
Também faço alusão um pouco, em relação a Morutopia, a Opak Re, a cidade perdida no continente africano que Elijah Snow, personagem central da série de quadrinhos Planetary, visita.
Os curupiras, personagens do imaginário popular brasileiro, são confundidos com elfos, do folclore europeu.
Railands é o correspondente fonético para Highlands, região da Escócia que está relacionada à cultura celta e conseqüentemente aos elfos.
Quando Tchuck dá um grindhouse kick, a referência é dupla: primeiro ao roundhouse kick, uma voadora circular característica do ator, e ao projeto Grindhouse, que uniu dois filmes cujos tons eram puramente satíricos. Um dos deles é dirigido por Quentin Tarantino e o outro por Robert Rodriguez.
O homem branco a quem os curupiras se referem é Alden. Isso é coerente com a afirmação deste no último texto, sobre seu exército sobrenatural estar quase pronto.
A moto Kamen de Eric Norton é uma homenagem ao seriado live action japonês Black Kamen Rider, sobre um personagem que vestia uma fantasia de besouro negro para lutar contras as forças do Mal, e que obviamente usava uma moto também.
Essa estória se passa imediatamente antes dos acontecimentos de Welcome to Miller, Mr. Abercrombie, e é por isso, e por uma alusão ao escritor Bret Easton Ellis, que ela termina de forma abrupta.
Detective Olho Privado: Arnaldo De Oliveira
Essa estória não tem muito a ver com a cronologia, digamos assim, oficial, apesar de ser ambientada no mesmo universo. Apenas queria escrever um conto detetivesco rústico e satírico, baseado nos bons e velhos romances policiais. A única menção digna de nota é que chamei o inferninho da cidade de PSENU, que é UNESP ao contrário.
O Início
As peças começam a se juntar aqui. Pinturas do futuro, máquinas do tempo, visitas do futuro... O propósito para todos os acontecimentos descabidos começa a ser revelado, e a aliança que promete mudar o mundo, forjada.
A Diretriz Monteiro foi a minha maneira de homenagear o homem que abriu meus horizontes da leitura quando pequeno, Monteiro Lobato. Ela está, como não poderia deixar de ser, relacionada aos temas folclóricos que ele abordava em suas estórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo.
A cena final também está relacionada a Lobato. Quando Alden pede cinco garrafas com tarjas vermelhas, ele se refere às únicas prisões conhecidas para sacis. Essa informação foi diretamente extraída de O Saci, muito embora também faça parte do arcabouço cultural popular.
Tolo, o assistente de Alden, tem o mesmo nome do assistente do xerife Hague do Filme Planeta Terror, que fez parte do Projeto Grindhouse.
December Boys
Essa estória nada tem a ver com a trama central, escrevi-a apenas por diversão.
December Boys é o nome de um filme estrelado por Daniel Radcliffe, o ator que interpreta Harry Potter na série para o cinema. Como ela foi escrita em dezembro de 2007, me pareceu apropriado.
Absolut é uma vodca cara para os padrões normais, mas muito boa.
A frase “Se vamos beber, vamos beber” é proferida pelo personagem Desmond David Hume no episódio 308 da série Lost, “Flashes Before Your Eyes”, de longe o meu favorito na terceira temporada.
A frase “Idiotas mão morrem de tédio. Preferem morrer de vodka.” É uma adaptação livre de uma frase de Fiodor Dostoievski, que NÃO escreveu Guerra e Paz (foi Tolstói, outro russo), muito menos nas Estrelas (referência à Guerra nas Estrelas, de George Lucas).
Under Attack
Afonso y Afonso é a contraparte da rua Alonso y Alonso, em Franca, SP.
Nesta estória, temos um pequeno flashback, que revela que, desde quando eram pequenos, os irmãos Abercrombie tiveram algum contato com o sobrenatural. Ian aparentemente fugiu daquilo o quanto pôde, enquanto Alden explorou-o cada vez mais.
Make Them Talk, Tolo
Mais informações sobre sacis, todas retiradas d´O Saci, e um pouco adaptadas para o meu mundo.
Magioni Castro é a contraparte da rua Major Nicácio, em Franca, SP.
Cowville é Barretos, um lugar que não gosto muito e por isso resolvi associá-lo a uma coisa dolorosa, como a tortura que está por vir para os dois personagens.
Agora sabemos da existência de um colar, da mãe dos dois irmãos. Qual será a intenção de Alden em obter esse artefato?
Nosso Próprio Planetário
Esse aqui foi o meu Everest, em termos de coesão. Queria desesperadamente inserir algo inovador e surpreendente, mas que fizesse sentido. Mas chega de expressar minhas agruras de escritor.
O título já faz menção, escancaradamente, a um de meus títulos de quadrinhos favoritos, o Planetary de Warren Ellis. Elias Neve, o personagem apresentado aqui, é a contraparte de Elijah Snow.
Na narrativa de Ellis, duas outras pessoas (Jakita Wagner e O Baterista) resgatam Snow de uma vida medíocre e oferecem um lugar em suas fileiras para explorar a História Secreta do Mundo, mas existem outros fatores importantes a seu respeito revelados ao longo das edições. Em meu universo, Neves também é um homem alquebrado a princípio, mas por razões completamente diferentes e sem nenhuma grande surpresa em relação a isso. Ele é apenas um homem que se desiludiu com o mundo e parou de se importar até que fosse quase tarde demais.
Paranóia Adamsiana: sensação equivocada, segundo Douglas Adams em seu Guia do Mochileiro das Galáxias, que todos os seres têm de que existe algo acontecendo no universo.
"Lembrete cósmico": tirei essa de uma edição da Liga da Justiça escrita por Grant Morrison, em que Batman diz que as coincidências servem para lembra-nos de que existe sincronia no universo.
Multiverso é um termo usado em diversas estórias de ficção, mas o formato de floco de neve que lhe é inerente veio diretamente de Planetary também.
A Esphera das Probabilidades, por incrível que pareça, é idéia minha. Funciona como uma bola de cristal, mas com uma espécie de "explicação científica" por trás dela.
A Federação Espacial é a mesma do universo de Star Trek, tanto que os números que o designam são os mesmos que, se digitados, formam a palavra Enterprise, a principal nave da Frota Estelar. O nome Amerika já apareceu em outros veículos, mas não me lembro exatamente de onde. E é óbvio que o número desse lugar é a data do descobrimento da nossa América invertido. Quanto a Terra 3, esta é inspirada na Graphic Novel Terra 2, de Grant Morrison, em que o Universo DC normal é o reflexo de uma terra em que vilões sempre ganhavam.
A raça Tenruki e o mineral Turilian são duas outras invenções minhas. Nanorobôs também já fazem parte do imaginário popular do século XXI.
O uso de curare é o mesmo empregado em Heroes, quando o doutor Suresh usa uma pequena quantidade deste veneno para neutralizar os poderes do vilão Sylar.
Esse texto acontece após os acontecimentos de Make Them Talk, Tolo. Também dá para perceber que as intervenções de Eric e Ian começaram em 2006, no mínimo.
