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ericnorton
Um Homem Exorcizando Seus Demônios
 
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Bad Bromance
Depois de uma vida longa e ruim, a lancha.
 
- Que mar é esse? Vocês sabem, meninos?
 
- Não sei. Acho que não importa. - diz Beto.
 
- Você que deveria saber, Zicaio. Essa, afinal de contas, é a sua festa. - diz Gil.
 
- Reunir um monte de homens em um barco realmente é coisa sua. - zomba Ian.
 
Nós todos estamos trajando branco, camisas folgadas e sandálias de couro confortáveis. Há drinques em um bar no deque. Essa é, afinal, a minha festa.
 
- Zicaio, por que aqui? E por que todos nós? - pergunta Dom, se servindo de champagne.
 
- Eu tenho alguns lugares para ir e pessoas com quem conversar antes que tudo isso termine, mas eu queria que meus amigos do peito, as pessoas mais importantes de uma época decisiva da minha vida, tomassem drinques de lancha comigo primeiro.
 
- Inclusive eu? - Wagão interpela.
 
- Óbvio. Aqueles dois ou três debates que tivemos não apagam seu apoio e sua consideração. Lembra do dia do carro que quase me atropelou? Ficar do meu lado naquele instante, depois de tudo, significou mais para mim do que posso descrever.
 
-E o porquê das roupas náuticas? perguntou Ian, rindo.
 
- Sei lá, pareceu apropriado.
 
Rimos da minha cafonice, algo esperado de um ex-Nacho.
 
- Bem, acho melhor começarmos para valer. Primeiro, um Mojito.
 
- Quero Fanta uva. - Beto reclama.
 
- Eu sabia que você diria isso. Olhe direito aí.
 
Beto pega uma lata da geladeira que está no bar e dá dois ou três goles antes de alcançar meu copo e experimentar o Mojito que fiz.
 
- Vou dizer uma coisa, Beto, sempre adorei isso. Me sentia próximo, incluído, aceito. De verdade. Dividir um copo não é uma coisa tão pequena nesse mundo de estranhamentos em que vivemos. E também me deixou emocionado quando aventou a possibilidade de eu ser titio um dia.
 
- Fico feliz que dividimos muitos copos e que fomos ambos tios dos meninos.
 
Dou um abraço no meu querido Betônis, que larga sua lata e dá um pulo na água.
 
- Geralmente não bebo, mas esse sex on the beach está delicioso. - diz Wagão, com um sorriso meio ébrio no rosto.
 
- Nada melhor que um bom drinque depois de uma vida dura. Admiro muito você por ter chegado onde chegou. Você é um cara admirável, Wagão. E muito obrigado por ter cunhado o nome Bode e os Pavões.
 
Outro abraço, e ele vai até a proa e se junta a Beto no mar sem nome.
 
- Gilcemar!
 
Gil está bebendo, direto da garrafa, um Blue Label. Antes esculpia do zero uma engenhoca, alguma coisa linda e inspirada que só ele consegue fazer. Ele antecipa o que estou prestes a dizer.
 
- Você já agradeceu o Vick Vaporub em um poema em nosso mural.  
 
- Não muito inspirado, eu imagino.
 
- Você tentou. - ri ele.
 
- O Vick foi uma das coisas mais legais que já fizeram por mim, mas ele só é símbolo da atenção e do carinho que você dispensa a qualquer pessoa, mesmo a um desconhecido enxotado de um lugar ruim. E tem ainda outra coisa: de você partiu o maior elogio sobre minhas habilidades como professor que já recebi. Muito obrigado.
 
- Sem novidade.
 
- Vou sentir falta disso.
 
Abraço terno, salto quase ornamental do torcedor do palmeiras sorocabano. Dom se aproxima.
 
- Zicaio, essa Deus está geladíssima.
 
- Cuidado, não vai pegar uma tosse.
 
- Aquele foi um dia ruim.
 
- Que nada. Se não fosse aquilo, não seríamos amigos. Só lamento não ter estado mais presente. E não ter saído do cinema com o Beto para te ver naquele dia.
 
- Tudo bem. Até outro dia, Zica.
 
- Até, meu querido.
 
Dom pula com a garrafa e tudo, e me condeno por não ter dado a ideia aos meninos antes. O sol ofusca minha visão por um instante e tudo fica branco. Uma amostra do que virá? Não importa. Estarei pronto.
 
Me viro para encarar toda a extensão da lancha. E lá está ele. Deitado na cadeira esticada, Ian bebe nossa absolut de laranja direto do gargalo. Clink clink, ouço.
 
- Pronto para satisfazer suas fantasias sãopaulinas mais profundas? - ri ele.
 
Pego a vodka e dou um longo gole.
 
- Você está com inveja, queria ter torcido para um time de verdade, não esse arremedo corintiano.
 
- Hahaha. Bem, e agora?
 
- Acho que é hora de ir.
 
- Pelo menos dará para tirar a roupa de macumbeiro.
 
- Vai saber o que você me fará usar quando for a sua vez.
 
- Não sei. Algo exótico como um turbante, ou uma saia escocesa.
 
- Um kilt?
 
- Por que você sempre faz isso?
 
- Não seria se não fizesse. Mas, falando sério... Você sabe, não?
 
- Sim. Você nunca cansou de falar.
 
- Então não preciso dizer.
 
O último abraço.
 
- Você diria que pular no mar misterioso é uma má ideia? - pergunta ele, pois estamos na beirada da lancha.
 
- Péssima.
 
Sorrio. Ele também.
 
- Então vamos juntos. - ele diz.
 
Nosso último salto de fé. Nunca foi tão fácil acreditar.
 
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The Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore Who Never Was
Acho que nunca conseguirei perdoar a maior falha das adaptações dos filmes pós-Richard Harris da série Harry Potter: a falta de coração do Dumbledore de Michael Gambon. Enquanto o falecido ator nos brindou com um mago por vezes exausto, mas absolutamente acolhedor, com o qual nos acostumamos nos livros, Gambon se mostrou quase sempre blasé, desinvestido do interesse quase-paterno necessário para a explicação do laço profundo criado entre ele e o protagonista. A queda do único mago que Voldemort temera da torre de Astronomia no sexto filme da franquia trouxe um pesar forçado que Daniel Radcliffe demonstrou com competência, apesar da completa falta de verossimilhança da trama para aquilo. Nós espectadores nos emocionamos no cinema porque aquele signo remetia a outro conjunto de significados, obtidos na leitura angustiante de 2005. 

Não me importei com diversas omissões por falta de tempo, algumas delas essenciais para a compreensão da história, ou com a inclusão de cenas inteiras para o aumento de ritmo dos filmes. Para mim tanto teria feito se os dementadores tivessem sido retratados como os Espectros do Senhor dos Anéis; o que eu queria era que a essência estivesse lá. E isso teria exigido um Dumbledore espirituoso, alegre e muito mais humano. 

Admiro as tentativas de Cuáron, Newell e Yates, que fizeram o melhor com o material e as óbvias restrições que tiveram. Assisti a cada uma de suas interpretações da série de livros que mais gosto e nunca saí completamento insatisfeito ou decepcionado. Aliás, as primeiras sessões sempre eram as melhores, pois meu entusiasmo era tamanho que eu notava as limitações das películas apenas na segunda vez. 

Mas o Dumbledore tinha que ter sido aquele dos livros, não importa o quão mais tudo mudasse. Maldito Peter Jackson que nos privou da chance de ver Ian McKellen no papel do diretor de Hogwarts mais legal de todos os tempos. 
 
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Onegai Shimasu
Em meio ao burburinho característico de cidades grandes, mesmo em uma em que o silêncio é incentivado milenarmente, havia paz. Não sentia sobrecarga de conexões e sentimentos, para mim aquilo era uma tábula rasa, uma chance de apenas receber cargas e cargas de conhecimento e de experiência. 

Como sempre, a paisagem só se fazia completa com cheiros e sons e pessoas que as validavam. O parque Ueno, o templo em Tsukiji, as pedras de Tsukuba, as árvores que o outono amarelava e, na queda, embelezava: isso foi o Japão, mas houve outras coisas.

Os jogos de futebol, a limpeza, o bom atendimento nos restaurantes e lojas, Marco, Coringa, Mateus Júnior e Sênior, bizarrices mil, o Gundam de 1,70, koala bearu e yakisoba de chapa. Sashimi fresco, meus conhecimentos linguísticos postos a prova, minha capacidade de imersão comprovada. O incidente onegai shimasu, duas palavras mágicas que um dia se tornarão sigilos e encantações.

Na volta, Grant Morrison se manifestou em Houston para mim de forma inesquecível e quase improvável, com direito a uma porção de chicken teryiaki e camisetas Abercrombie. 

É bom viajar. É bom voltar para casa. A vida é boa e nunca esteve melhor. 

Estou oficialmente no quarto ano de Letras, seguindo meu caminho. Não esqueci, apesar de parecer ás vezes, que é esse o botão que tenho que apertar, que é esse meu destino. Seis anos depois, muita coisa mudou, menos aquilo que realmente importa. 

Último ano de graduação, o primeiro do resto da vida e the whole shebang. Tudo está bem e continuará bem.

Até que eu leve uma flechada no joelho.

Deal with it.
Rock'n'roll.

PS: Yes, a meme here. You got me, 9gag. 
 
#
Leaving the Building
O semestre terminou, e agora tem minha viagem ao território japonês. Sayonara. 

Deal with it.
Rock'n'roll. 
 
#
It's Time
For me to tell you that I'm sorry.

To be happy again. 

To make amends.

To have a new new new new beginning and do what I'm supposed to do.  

It's just time. 
 
#
A Falta de Juízo Prevalece
Não bastava vociferar contra o pessoal do "movimento estudantil". Eu tenho que inovar.

De preferência sabotando uma das poucas coisas constantes que tenho, minha vida acadêmica. Mas essa é a época de ser corajoso. 

Escrevi, tendo como tarefa discriminar um padrão recorrente em um poema aleatório:

Canção de Prova

O poeta pinta novo
tudo aquilo que ele toca
Faz de novo, torna seu
Tudo aquilo que evoca

O poeta compõe flores
Hinos, odes, elegias
Faz o que veio antes
Se tornar suas crias

O poeta faz canções
do exílio e de saudade
O que lhe é legado
Ele copia sem maldade

O poeta aquí é Mendes
que canta o SEU exílio
Quem lhe inspira é Gonçalves
E a Imagem presta auxílio

O primeiro quer o metro
contrato que Mendes rescinde
Dias sempre visa à rima
Da qual o segundo prescinde

Gonçalvinho rasga seda
quase sempre enaltece
Mendes quebra, critica e exalta
Porque assim o Brasil merece

A Poesia afinal é assim:
uma grande segunda chance
Para redizer e fazer do velho o belo
Até que a gente canse

O poeta aquí sou eu
decidi na poesia arriscar
faço aqui minha análise
e espero um dez tirar!


Clara, gritantemente sem juízo. Esse sou eu na primavera, crianças. 

Deal with it.
Rock'n'roll. 
 
#
Not Sure If Good, But It's My Fight
A muito útil prática arte de viajar no tempo auxilia pessoas desde épocas imemoriáveis, eu uma delas. Já consegui me convencer a não ler Sagarana, me alertei sobre o fim do mundo e a vindoura eleição de Érico Padilha, entre outras coisas. Inclusive me dei alguns puxões de orelha, mas hoje foi a primeira vez que meu eu, de 2006, fez uma visita tão radicalmente contrariada. Tudo por causa disso da paralisação de aulas na UNESP e uma notícia de jornal na qual eu me manifestei contra:

O estudante do curso de letras, Caio Oliveira, de 25 anos, que discorda da paralisação, se mostrou frustrado por não ter aula. “Ninguém discorda do que estão manifestando, eles têm fundamento, mas os métodos não são corretos”, afirma. “Todo mundo entrou aqui para ter aula, não para mudar o mundo. Mudar o mundo é consequência de uma boa formação.”

- Não acredito que você disse que não é seu papel mudar o mundo. 

- Acho honestamente que uma manifestação desse tipo, sem diálogo real, não é o meio propício para isso. Quem já não é corrompido por interesses escusos é cooptado ou calado pelos opressores, e há ainda a massa de manobra estúpida que circula a confusão tal qual urubus. Sustento o que disse; a causa aqui não está dividida entre mal e bem, esse exame das coisas é extremamente superficial. Levantar uma bandeira requer muita reflexão e análise, agir em sua função deveria ser ainda mais ponderado. Além do mais, privar as pessoas de seus direitos não é exatamente o que os "vilões" fazem?

- Sim, mas...

- Vamos lá, estou esperando. O germe da transição já está na sua cabeça, eu sei. 

- Você foi até Franca para salvar o mundo. Como abandonar tudo assim?

- Sabe, eu tinha uma frase de efeito para garantir que não abandonei, mas o tempo de frases de efeito e inconformismo por inconformismo passou. Hoje eu fui até todas as pessoas de quem discordava e me fiz ouvir, consegui controlar toda a raiva retrospectiva que sinto e fui sensato em minhas palavras e ações. Não sei se vou mesmo salvar o mundo ou mudá-lo, sei apenas que quero viver minha vida sem arrependimentos e dei um pequeno passo para isso. Você não se sentirá muito bem nos anos vindouros, aproveite o quanto pode, mesmo. Hoje foi um dia de pequenas vitórias cada vez mais raras, um dia em que você fez a coisa certa da maneira certa. 

- Está tão mal assim?

- Não, não é tão ruim. Mas me diga, de que mês você veio? 

- Abril. Abril de 2006. 

- O que eu não daria para passar um só dia no seu lugar... Você está prestes a sofrer uma das maiores dores que sentirá na vida, mas passará esse tempo com a melhor pessoa que já conheceu. Depois que tudo acabar, salvar o mundo, ou mudá-lo, será parte vital dessa conexão perene que forjará, pois esse é um trabalho para duas pessoas e sempre será, até o fim. 

Deal with it.
Rock'n'roll.

Post scriptum: O Harry morre mas volta à vida, o Snape era leal ao Dumbledore o tempo todo, o John Locke estava certo a respeito de tudo, morre e todos se encontram no purgatório, uma de suas séries favoritas agora é de vampiros adolescentes e você gostará cada vez mais de futebol. Treine fazer coisas com a mão esquerda, prepare seu estado mental para aguentar muita loucura e aprenda um pouquinho de japonês. Tenha em mente que é preciso ir atrás de seus dinossauros e que você me conheceu em uma época muito estranha da minha vida. 
 
#
The Goo-Splattered Fly
Em algum momento de 2003.

Caio Oliveira, com um uma cabeleira majestosa que ele mantinha por razões insondáveis, lia compenetradamente um livro deitado na cama. Era um dia quente, a janela estava aberta para deixar entrar um arremedo de brisa e ele trajava apenas uma bermuda e camiseta, sem o par de meias que ele invariavelmente calçava mesmo no verão. O ventilador estava ligado, mas isso não impediu que uma mosca se instalasse sorrateiramente entre os dedos polegar e indicador de seu pé direito. A percepção daquele evento não lhe foi imediata, na realidade; apenas quando a mosca o picou é que ele sentiu sua presença, seguida pela dor e raiva que o fizeram esquecer de sua leitura por alguns minutos. 

Furioso, ele jurou vingança. 

Terça-feira, 01 de novembro de 2011. 

Caio corria pela ciclovia que unia o Instituto de Química ao campus da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara. Chegando à portaria do campus, ele parou para beber água do bebedouro. E lá estava ela. Negra, insidiosa, mortal, uma maldita mosca circulava o bocal pelo qual saía água, provavelmente esperando por sua próxima vítima. Um movimento fluido e lépido bastou:

Bam!

Caio retirou a mão da parede atrás do bebedouro. Ali, em sua palma, jazia a mosca coberta de meleca. Vingado, ele observou que havia outra mosca, menor, provavelmente filha dela, nas imediações. E entoou, com seriedade:

- Não era minha intenção fazer isso na sua frente. Por isso eu sinto muito. Mas pode acreditar em mim, sua mãe mereceu. - Pausou, medindo as palavras. - Quando você crescer, se ainda se ressentir por isso, eu estarei esperando. 

Sexta-feira, 04 de novembro de 2011.

Caio corria. Um zumbido anunciou um ataque súbito à sua cabeça, que ele defletiu com as mãos. A nova investida, porém, foi bem-sucedida e ele sentiu uma picada bem na testa, do lado direito. O momento chegara. Caio pôde apenas dizer, antes de continuar sua corrida (aquilo era apenas uma picada, afinal): 

- Maldito ciclo de vida acelerado das moscas. 

Deal with it.
Rock'n'roll. 
 
#
Férias Seriam Bem-vindas
O meio de outubro trouxe chuvas e o calor opressivo e úmido típico da época. Isso não importa nem um pouco no grande esquema das coisas, embora o clima, como sempre, interfira diretamente em meu humor. 

Preciso de férias. Desse tempo, da faculdade, de diversos caminhos que não estou gostando de percorrer. Realisticamente não posso largar minhas atividades e tomar o tempo necessário para implementar mudanças absolutamente necessárias para meu bem-estar, então buscarei uma certa tranquilidade por outros meios. Talvez viaje, desligue o telefone ou beba exemplarmente para esquecer. Talvez faça tudo de uma vez, para irritar várias pessoas e meu fígado. 

Está chovendo agora e isso mina minha resolução. Eu disse que o clima interferia em meu humor, como esse texto de merda prova cabalmente. Pelo menos mais uma pedra está, mesmo que mal colocada hoje, posta na estrada que me leva até o fim. 
 
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Of Mice and Men is NOT a Bromance
Não, isso não é um prelúdio para Bad Bromance, um dos melhores escritos que jamais aportaram(ão) por essas bandas e que chegará em um momento oportuno. Essa minha afirmação epitética veio da discussão que estávamos tendo até agora na aula de Literatura Norte-Americana sobre a play-novelette Of Mice and Men, que obviamente não é um bromance, apesar de algumas indicações do Sparknotes. I love you, man, but I'm gonna have to shoot you in the head. Talvez eu esteja exagerando, claro, mas isso para um estudante de Letras é apenas ser hiperbólico. 

No horizonte se aproxima a calmaria depois de um ano de sucessivas tempestades. Talvez haja espaço para um bromance meu ou algum outro acontecimento épico antes de minha nipônica jornada em dezembro. Por enquanto vou tocando minha vida do melhor jeito e torcendo para que o céu se mantenha razoavelmente limpo. 

Deal with it.
Rock'n'roll. 
 
#
Toga, toga, toga!
Existem coisas que desejo fazer antes de sair de cena aqui. Não me deixarei, como tem acontecido desde que revelei minha decisão de descontinuar o blog após seu post de número 500, ser pressionado por isso ao decidir escrever. Não faz diferença que sejam os últimos, farei o que sempre fiz sem maiores remorsos até o derradeiro, que será de uma viadagem ímpar. 

Descobri hoje que é noite de lua nova (no drink!) em uma tarde de conversas em meu barbeiro. Fazia tempo que eu não me deixava levar por estórias, que não me maravilhava como uma criança diante do novo. Não houve uma epifania, uma guinada total na maneira como eu encararei as coisas, mas senti a magia que há tempos estava sumida. 

Hoje tem a festa X que eu e o Diego, como nos velhos tempos, arrasaremos. Claro que por arrasar quero dizer beber e ocupar toda a pista de dança sem muita cerimônia e toscamente, pois qualquer outra opção simplesmente não é de nossa alçada. 

Só uma coisa antes de partir: we're gonna go old school all over this party's ass! Toga, toga, toga!!!

Deal with it.
Rock'n'roll. 
 
#
While I was Away, I Decided to Go Away

Pode-se dizer que muito pouca coisa aconteceu desde meu último post. Nenhum conflito foi criado, os personagens, ainda os mesmos, não se desenvolveram. Sem ganchos ou desenlaces, talvez uma analepse aqui ou ali. Há embriões de mudança, talvez até de uma série derivada, tudo ainda incipiente.

 

Tomei uma decisão, porém: o blog acaba daqui a exatos 31 posts. O advento do 500 marcará seu fim, de forma simétrica e simbólica. Farei isso pois... eu preciso. Tudo tem que chegar a um fim, não é? Já tive aqui meu auge de prudução, em 2009, escrevi coisas das quais me orgulho, outras que nem tanto, mas fiz aquilo que queria. A vontade de exorcisar meus demônios nesse meio tem sido cada vez menor, meu entusiasmo com trocadilhos infelizes amainou. Ainda serei a mesma pessoa, beberei minha cerveja, levarei relacionamentos e compromissos com a barriga e sempre amarei Ian Gabriel Villaseca não importa o que aconteça. Apenas deixarei de registrar minhas constatações e elocubrações aqui, no Mindsay. Tenho mais alguns posts sobrando e farei cada um deles valer, mesmo que não pareça, mesmo que tudo que eu obtenha deles seja a satisfação de criar um título "estiloso", comemorar uma vitória ou dizer ao Ian como ele foi, é e sempre será meu melhor amigo.

 

Depois disso, a História Blogueira me espera.

 

Deal with it.

Rock´n´roll.

 
#
A Inesgotável Magia das Palavras

Uma quase quebra da quarta parede? A cinessérie Harry Potter foi pelo menos extremamente metalinguística em seu derradeiro capítulo ao ter Dumbledore dizendo que sempre foi perito em formar frases de efeito e que as palavras, mais do que qualquer outra mágica, encerravam poder incomensurável capaz de destruir ou salvar uma pessoa. Há uma inesgotável magia nas palavras e eu, claro, concordo com isso.

 

Foram as palavras, ou melhor, seu uso por vezes indiscriminado ou mesmo criminoso, que me fizeram chegar até aqui. Oito ponto alguma coisa de média ponderada, estágios maravilhosos, uma carreira legal e, finalmente, uma bolsa de pesquisa PIBIC. Estou feliz, quase realizado. E ponto.

 

As notícias boas não param por aí: vou ao Japão em dezembro, com meu pai e meus irmãos Lígia e Tiago. Será minha chance de treinar meu japonês e minhas proficientes habilidades marciais, além de poder pilotar um robô gigante.

 

Voltando ao bruxo britânico (olha a aliteração!) e seu crepúsculo (drink!) cinematográfico, admito que fiquei feliz com o advento do último filme. Desde 2000, que é quando inicialmente me envolvi com a série, percorri um caminho tortuoso para estar onde estou e existem tantos paralelos com os livros dessa trilha que poderia listá-los por linhas a fio até cansar-vos. Me atenho a um, único e unívoco (olha a assonância!), que talvez seja essencial à série e, certamente, a mim: encontrei amizade e amor verdadeiros, e isso tem feito, além da escolha da estrada não tomada, toda a diferença.

 

Deal with it.

Rock´n´roll.

 

Post scriptum: Que venha logo Bad Bromance.

 
#
DCC: Gestão Caio Oliveira

A duração de um evento, por limitada que seja, não lhe dimensiona e avalia apropriadamente; conferimos essa condição de diversas maneiras, uma delas por meio de comparações. Exampli gratia,  uma Semana de Letras pode não ter o mesmo impacto intelectual, emocional ou financeiro que um singelo Bloomsday organizado por um estudante de Letras em beast mode. Sete dias inteiros não são suficientes se você não tem o olho do tigre.

 

Falando em dotes felinos, fui escolhido para abrir e tocar a Divina Confraria Cervejeira por um dia inteiro, este sábado ensolarado e promissor. Novamente a duração dessa tarefa não servirá de parâmetro para tudo aquilo que o dia poderá e deverá encerrar. A DCC nunca mais será a mesma após a gestão Caio Oliveira.

 

Deal with it.

Rock´n´roll.

 

Post scriptum: Minha saúde, mental e física, melhora a cada dia, meus propósitos parecem renovados e a nuvem negra que pairava sobre mim está se dissipando. Que o segundo semestre seja melhor do que a bagunça que está sendo esse primeiro.

 

Post post scriptum: Abaixo podem ver uma pequena aventura de Ian Abercrombie e Eric Norton, na vertente pastiche que eu havia primeiramente estabelecido quando comecei a escrever as estórias. Não está boa como elas merecem ser, mas tem o mérito de cumprir aquilo a que ela se propõe, no fim das contas, além de ter me deixado muito feliz pela espontaneidade com que saiu.

 

And so it´s bloomed.

 
#
The One Who Got Away

- Como podemos impedir que um homem exploda?

 

- Você é o cara que voa aqui. Sabe o que fazer.

 

- Eu queria evitar a alternativa mais... dolorosa. 

 

- Para quem?

 

- Bem, para todos nós, mas especialmente para mim, tendo em vista que única coisa que esse tonto precisava fazer era ficar fora de Nova Iorque para isso não acontecer.  

 

- Fizemos um juramento.

 

- Na verdade não.

 

- Certo, mas você sabe o que acontece se ele explodir e matar todas essas pessoas.

 

- Um psicopata assume a presidência dos caras que têm o maior arsenal nuclear do mundo. Não é boa coisa. - Nesse momento, Ian Abercrombie arregaçou as mangas de sua jaqueta surrada e levantou o braço direito em direção ao jovem de cabelo emo prestes a explodir. Girou a mão e uma cápsula de energia se formou ao redor do rapaz momentos antes de uma intensa energia emanar de seu corpo. Frustrada a explosão, ele caiu no chão, e Ian pôde relaxar novamente.

 

- Esses caras dão trabalho de vez em quando. - disse ele, parecendo estar exaurido. Eric Norton deu-lhe um tapa nas costas e deu uma leve risada.

 

- Com juramento ou não, é o que temos que fazer. Falando nisso, precisamos cuidar do escalpelador/ladrão de poderes.

 

- Quem é esse mesmo?

 

- O psicopata do futuro. Aquele que escapou.

 
#
Yellow is The Color or a Bunch of Half-Assed One-Liners

Not of my true love's hair, I have never favored blondes. My mistake? You betcha, because those chicks have way more fun, according to a very well-known saying.

 

Promessas de vidas melhores. Já tive várias, diversos ensaios errados, uma falta de concretude gritante. Quem disse isso fui eu e não um personagem da sua série favorita.

 

O fim Planetary não é tão bom assim, uma decepção perceber isso agora.

 

Lição retirada disso: nunca revisite certas coisas. O conforto da memória ás vezes basta.

 

Eu gostaria de ser culpado por coisas legais.

 

E queria que tudo fosse lindo e maravilhoso, verdadeiramente cor-de-rosa, para mim e para você, leitor.

 

O tempo lá fora está cinza e chuvoso, transportando ao mundo real de maneira eficiente certas nuances de mim, de todos nós.

 
#
Bad Typoist

Sim, eu digito mal. Não por insuficiência alfabética (condição cada vez mais comum nesses dias de internetês e de frequência de leitura cada vez mais baixa) e sim por ser meio atabalhoado mesmo. Para piorar ainda mais as coisas, iniciei e larguei, por mais de uma vez, aquele cursinho básico de digitação por qual muita gente passa. Isso me faz ficar, como diz meu pai e excelente digitador, "catando milho" no teclado, embora o faça com uma velocidade razoável para padrões universitários.

 

Tudo que acabo de dizer, embora seja de interesse mundial, é só uma desculpa para evitar assuntos sérios que deveriam ser aqui tratados minuciosamente e uma maneira leve de voltar à baila. Minha inatividade estava cansando, por mais paradoxal que isso seja, então precisava escrever alguma coisa, qualquer coisa.

 

Para quem ainda está acompanhando: comecei a assistir Community, série de comédia metalinguística e intertextual que foi, ainda bem, renovada para seu terceiro ano. Os velhos conhecidos do sistema caioliveiriano de assistir séries em série devem imaginar que terminei as duas primeiras temporadas em menos de uma semana, mesmo com trabalho a fazer e uma vida pessoal extremamente atribulada para tocar.

 

Bem, é isso por hoje, pessoal. Espero que estejam felizes com meu retorno. Sei que eu estou.

 

Deal with it.

Rock'n'roll.

 
#
Vacas Magras

O tempo fechou agora nesse início de maio. Chuva intermitente e frio castigam a normalmente ensolarada Araraquara, fustigando assim o meu normalmente ensolarado humor. A rabugice, porém, não é o única mal que me assola.

 

Dores no cotovelo (conotação zero aqui), mão e em outros lugares; problemas com relacionamentos; dificuldades em escrever. O outono, ao contrário do que eu imaginava, está sendo difícil.

 

O tempo é de vacas magras. Espero que elas engordem, o sol brilhe e tudo fique mais fácil.

 
#
Alinhamentos

Estou lendo o livro Linguística Cognitiva, de Tom Abreu. É claro que as páginas escondem lições preciosas sobre manufatura de balas de prata e estratégias de fuga contra licantropos, mas há informações úteis provenientes de seu pretexto.

 

Uma delas é sobre Gestalt. Fechar uma gestalt é cumprir um objetivo imediato que é a razão de uma série de ações aparentemente desconexas. Pensando nisso, adotei essa expressão em seu sentido mais lato e fechei, hoje, uma gestalt. Fechei várias, na verdade, mas a que me refiro foi uma gestaltona. More on that later.

 

Vim a Barretos nessa data simbólica para, a primeira vista, cumprir minhas penitências. Esse não é meu lugar. Não gosto do clima (em suas acepções diversas), das pessoas, da sensação perene de que posso ser laçado a qualquer instante. Só que aí entrei na casa de minha mãe e tudo se esvaziou de significado negativo e eu percebi que estava em meu lugar.

 

Deal with it.

Rock'n'roll.

 
#
What Do You Do When You're Lost?

Mais um hiato indesculpável e alguns atos indesculpáveis depois, volto novamente para mais um relato. Viram como esse negócio de rima é chato?

 

Estou de volta à ativa, pelo menos. Se cair na área é penâlti.

 

Um monte de coisas aconteceram desde meu último post e tenho a obrigação legal de dizer que não quero relatá-las, pois concernem outras coisas, pessoas, rumores e cuzonices (não só minhas, devo salientar, novamente por motivos legais) que não merecem ser de maneira alguma rememorados nesse veículo consagrado por meia dúzia de pessoas.

 

Uma delas, relatável, palatável e boa pra cacete, é que escrevi meu projeto de iniciação científica, que foi enviado ao CNPq para apreciação. Se eu ganhar bolsa, meninos e meninas, uma Deus será evocada. Não, isso não é um teísmo fora de lugar. Vão beber cerveja.

 

Há tempos nem os santos sabem ao certo a medida da maldade. Como poderia eu saber?

 

Deal with it.

Rock'n'roll.

 

Post scriptum: sou mais parecido com o Pedro do que quero admitir. Ao contrário dele eu penso e sinto e espero que uma redenção possa ser achada e eu possa encontrar meu caminho.

 
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